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Anthropic reforça segurança do Claude contra desinformação nas eleições dos EUA

Anthropic baniu contas ligadas a operações estrangeiras e criou novos classificadores no Claude antes das eleições de meio de mandato dos EUA em 3 de novembro.

Por Redação Ai Lucro · · 4 min de leitura
Urna eletrônica americana ao lado de uma tela com um chat de inteligência artificial genérico
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

A Anthropic anunciou um pacote de medidas para impedir que o chatbot Claude seja usado para espalhar desinformação política antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro. A empresa confirmou o banimento de contas ligadas a operações estrangeiras e a grupos que lucravam com notícias falsas, além de passar a oferecer informações oficiais de votação dentro das próprias conversas com o Claude.

Segundo a Anthropic, a decisão responde a um padrão de uso identificado nos últimos meses, em que agentes mal-intencionados tentaram transformar o modelo em ferramenta de propaganda ou em fonte de renda publicitária às custas de conteúdo fabricado.

Contas banidas por propaganda estrangeira e fraude publicitária

De acordo com a empresa, operadores de um site de notícias falsas usaram o Claude para produzir cobertura das eleições de meio de mandato alinhada a narrativas associadas à Rússia, ao Irã e à Coreia do Norte. As contas envolvidas foram removidas e a Anthropic diz ter aprimorado sua capacidade de detectar esse tipo de abuso.

A empresa também baniu contas de atores que usavam o modelo para fabricar notícias falsas com o objetivo de atrair audiência americana e gerar receita de publicidade, sem qualquer vínculo direto com operações políticas estrangeiras.

Para testar as próprias defesas, a Anthropic afirma ter trabalhado com o Institute for Strategic Dialogue e o McCain Institute, que avaliaram as salvaguardas do Claude contra campanhas eleitorais nocivas em três países: Estados Unidos, Israel e Brasil. Segundo a Anthropic, os testadores constataram que o Claude recusa de forma confiável um pedido isoladamente prejudicial, mas pode não identificar uma campanha maliciosa fragmentada em vários pedidos individualmente inofensivos. A empresa diz ter criado novos classificadores para detectar esse tipo de ataque em múltiplas etapas, incluindo tentativas de montar perfis falsos em redes sociais e sites de notícias voltados a discussões políticas.

Claude vai mostrar onde votar e a apuração oficial dos resultados

A partir de outubro, o Claude passa a trazer informações oficiais de votação fornecidas pela organização sem fins lucrativos Democracy Works diretamente nas respostas. Quando um usuário pergunta onde votar ou qual documento levar à urna, o modelo responde com dados específicos do estado, reunidos junto a fontes eleitorais locais e estaduais, sem precisar sair da conversa.

A empresa afirma também que, na noite da eleição e nos dias seguintes, o Claude vai mostrar os números oficiais mais recentes da apuração sempre que um usuário perguntar sobre a contagem de votos, evitando que o modelo repasse números desatualizados ou especulações.

Modelos pontuaram 99% em teste de imparcialidade política

A Anthropic diz que os modelos mais recentes da linha Claude, incluindo Opus 5.5, Sonnet 5.5 e Haiku 5.5, obtiveram 99% em uma avaliação interna de imparcialidade política. A metodologia foi revisada por três organizações independentes: The Future of Free Speech, ligada à Universidade Vanderbilt, a Foundation for American Innovation e o Collective Intelligence Project.

A empresa também divulgou números sobre como os usuários americanos de fato utilizam o Claude.ai: em uma análise de conversas de setembro, 5,75% tocavam em temas de política ou políticas públicas, 0,51% tratavam especificamente de eleições ou votação, cerca de 0,01% pediam recomendação de voto e aproximadamente 0,002% violavam as políticas de integridade eleitoral da empresa.

Por que isso importa fora dos EUA

O episódio reforça uma preocupação que já chegou ao Brasil: a mesma arquitetura de modelo usada pelo Claude é testada contra campanhas de desinformação em português, já que o Brasil foi um dos três países incluídos nos testes de segurança feitos pelo Institute for Strategic Dialogue e pelo McCain Institute. A Anthropic não detalhou publicamente os resultados específicos para o caso brasileiro, mas a inclusão do país na rodada de testes indica que episódios eleitorais nacionais também entram no radar da empresa ao calibrar filtros de abuso político.

Para o eleitor americano, a aposta da Anthropic é reduzir a chance de que o Claude seja usado tanto para fabricar notícias falsas quanto para confundir sobre local de voto ou resultado da eleição. A eficácia prática dessas medidas só poderá ser avaliada depois do pleito de 3 de novembro, quando ficará claro se os novos classificadores conseguem barrar campanhas fragmentadas em múltiplos pedidos — o ponto que a própria empresa reconhece como mais frágil em seus testes internos.

Fontes

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